Psicoterapia: fazer ou não fazer?

Por: Andrea Naves Müller  12/07/2011
Palavras-chave: Psicóloga

    

Muito se tem falado sobre psicoterapia nos dias atuais. As escolas estão mais atentas, a mídia divulga a necessidade das pessoas procurarem ajuda terapêutica, bem como os profissionais da área de saúde a incluem no rol dos instrumentos de tratamento.

A psicologia, através do seu desenvolvimento científico, tem se tornado um valioso recurso no cuidado com a saúde. Sabe-se hoje, por inúmeros estudos, que emoção e corpo funcionam em harmonia e ressonância. São dois aspectos de um único campo. Quando um não está bem, o outro é afetado. Portanto, a premissa de que eu não preciso ir a um terapeuta porque não sou louco, revela mais sobre o passado da psicologia, que se desenvolveu dentro da psiquiatria e da filosofia, do que da realidade contemporânea. Até a um tempo atrás, as pessoas se envergonhavam de falar que estavam em terapia.

Assim sendo, para nortear nossa conversa vamos abordar alguns pontos:

-        Primeiro: não é necessariamente verdade dizer que só faz terapia quem é doente, pois na maioria das vezes, as pessoas estão vivendo momentos de muita tensão ou crise e isso afeta seu desempenho, suas relações e sua vida como um todo;

-        Segundo: não é sinal de fraqueza recorrer à psicoterapia, ou sentir vergonha de buscar ajuda. Muitos acreditam que podem resolver sozinhos os seus problemas. Essas generalizações apontam para o desconhecimento e para o preconceito sobre a atuação da psicoterapia.

Há ciclos de vida que marcam significativamente as relações: casamento, nascimento de filhos, doenças, separação, mudança de trabalho, aposentadoria, morte e outros, acarretando, muitas vezes, grandes dificuldades em lidar com o novo. Essas experiências poderão desencadear angústias, medos, tristezas, inseguranças, manifestando-se de diferentes maneiras, dependendo do jeito de ser de cada indivíduo. Os sintomas podem ser insônia, depressão, pouco rendimento no trabalho, nervosismo, mas sempre sinalizarão que algo na pessoa não está bem.

Considerandoque o comportamento se dá na relação com o outro, na linguagem e no contexto, acreditamos que as ligações significativas são construídas dentro da família de origem. Nesse sistema desenvolvem-se formas particulares de ver o mundo e de lidar com ele, atribuindo-se sentidos aos acontecimentos, aos sentimentos e a forma de entender a vida.

As mudanças sociais, culturais e econômicas que vem ocorrendo ao longo do tempo, têm estimulado as pessoas a mudarem seus comportamentos, exigindo que os indivíduos estejam sempre atualizados, bem informados, belos e saudáveis. Mas será que o homem tem se preparado emocionalmente para tais exigências?

Existem pessoas mais suscetíveis às frustrações revelando baixa tolerância quando contrariadas, há as que se mostram mais resistentes diante das adversidades, mais agressivas ou mais complacentes. Há uma infinidade de possibilidades de comportamento, tanto quanto, é o número de indivíduos no mundo. Cada ser é único e original na maneira de viver.

Com a grande quantidade de pressões sociais, o homem tem sentido a necessidade de expandir suas emoções. Nessa dança com a vida e com as angústias inerentes ao conviver, a psicoterapia se oferece como um espaço de reflexão sobre como o indivíduo se relaciona consigo e com o seu meio social.

O terapeuta atual deve considerar que a matriz relacional do indivíduo, hoje, não é só desenvolvida dentro do modelo tradicional de família, mas também contemporizar que hánovas composições familiares, assim como a vivência em instituição. A flexibilidade da terapia permite criar um lugar onde não há julgamentos de certo ou errado, feio ou bonito, ou qualquer outro julgamento moral. Ao invés disso, o caráter acolhedor da psicoterapia possibilita ao indivíduo olhar como constrói suas relações, que significados dão a elas e como age dentro destes padrões.

No processo terapêutico, amplia-se a consciência de si mesmo, facilitando o indivíduo apropriar-se das consequências de suas atitudes no mundo.

A psicoterapia se dá no encontro humano com o terapeuta. Ela pode ser realizada com crianças, jovens, adultos, famílias, casais, individualmente ou crianças utilizam-se brinquedos, jogos e desenhos. Com jovens e adultos, as técnicas utilizadas diversificam, dependendo da abordagem teórica do terapeuta.

A busca pela terapia deve ancorar-se no desejo de mudança e na esperança de ser feliz. Portanto, vale acreditar que pedir ajuda não é algo que mereça ser desvalorizado, mas sim, entendido como uma vontade de transformar a vida numa experiência mais harmoniosa. A psicoterapiaé um valioso recurso para lidar com as dificuldades da existência, e também, um espaço favorável ao crescimento e amadurecimento, onde se pode recontar a história de vida, resignificando-a. Um lugar onde deve haver espaço para singularidades e diferenças, pois afinal, diferentes somos todos, mas o importante é o que fazemos com essa diferença.

Grupo de Estudos de Psicologia na Abordagem Sistêmica

Coordenadora:        Vivien Bonafer Ponzoni

Participantes:           Andrea Naves Müller

                                   Gladys Fernandes

                                   Gilda Rezende Lugarini

                                   Sarita del Prado Filartiga

Palavras-chave: Psicóloga