Da assistência à sócio transformação: ideais e caminhos distintos, porém convergentes e complementar

Por: ATIVO ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA  06/02/2013
Palavras-chave: palestras, Assessoria, Ong

Quando falamos em ações e projetos sociais, entendo-os classificados no gênero “Atividades Sociais” e subdividido em duas espécies: assistencial e sócio-transformador. Assistencial seria a ação ou projeto social que tem o objetivo de amenizar temporariamente (normalmente curto prazo) uma determinada injustiça social e/ou sofrimento humano, sem no entanto ter a profundidade (tempo e processos) suficiente para corrigi-la de maneira que deixe de existir, ou seja, é oferecida uma assistência momentânea e após passar por esta ação ou projeto os beneficiários estão socialmente na mesma condição anterior. Um exemplo de ação social assistencial promovida por uma pessoa física, seria dar esmola a um pedinte. Isto pode suavizar temporariamente a fome daquela pessoa, mas passadas algumas horas ele estará na mesma condição anterior: de pedinte, sem expectativa de evolução. Ações e projetos com atividades limitadas a satisfazer alguma necessidade, tais como: oferecer uma sopa ou cestas básicas ou um medicamento, ou recursos financeiros, são exemplos de assistencialismo. Sócio transformador seria a ação ou projeto que provoca evolução social das pessoas, quando comparados a um estágio anterior e de maneira que, após passar pela ação ou projeto há garantia de perenidade da mudança provocada, ou seja, se o beneficiário fizer sua parte ele nunca mais volta à condição anterior. Um exemplo de ação sócio-transformadora promovida por uma pessoa física, seria convencer um pedinte à voltar ou iniciar seus estudos. Proponho aos leitores a quebra de seus paradigmas para entenderem meu conceito de “promoção social” acompanhando meu raciocínio ordenando seus pensamentos na seqüência seguinte: Promoção tem relação com a palavra “promover”, que significa sair de um estágio e avançar para outro superior, melhor, caso contrário seria estagnação ou regressão. Promoção social é a evolução de algum aspecto social que sai de um status para outro mais avançado. Em regra não procuraríamos promover o que já está bom ou pelo menos razoável e normalmente tenta-se evoluir naquilo que está muito ruim, péssimo, alarmante, ameaçador. Social tem relação com a palavra “sociedade”, que conceituando de maneira simplista é o conjunto de cidadãos de determinado local. O que quero chamar sua atenção é para o sentido de generalidade da palavra. Não há que se aplicar a palavra “social” para designar algo que seja individual ou que seja até mesmo coletivo (interesse de vários), mas que não seja vontade ampla, geral e majoritária dos cidadãos. Neste raciocínio lógico, unindo as duas palavras, “promoção social” seria levar para um nível melhor aquilo que é vontade ampla e majoritária dos cidadãos. Voltando à questão de que, normalmente se tenta evoluir naquilo que está muito ruim, péssimo, alarmante e ameaçador, eu só posso chegar ao pensamento de que realizar promoção social de fato é diagnosticar qual é o maior problema, o mais ameaçador e prejudicial para a ampla maioria dos cidadãos brasileiros (ou do meu estado ou do meu município ou do meu bairro ou de minha comunidade) e desenvolver atividades que reduzam tais problemas, levando à sociedade do estágio em que estava a um estágio superior, melhor, mudando de fato sua realidade, de maneira que bastaria então cada um fazer sua parte para não mais voltarem para condição anterior. É diante deste raciocínio que consigo definições para classificar as ações e projetos sociais em assistenciais ou sócio-transformadores, pois estes últimos mudam realidades que são preocupações generalizadas da sociedade e os demais promovem ações válidas, importantes, louváveis, necessárias, mas são assistenciais por dois motivos ou porque não mudam realidades(apenas oferecem paliativos) ou porque promovem transformações sim, mas que não são demanda social generalizada. Para saber se algo é uma preocupação generalizada da sociedade, basta pensar na resposta que a população daria à seguinte pergunta, se fosse entrevistada nas ruas: “Quais são os problemas que você listaria como os que prejudicam o desenvolvimento da maioria dos brasileiros?” As respostas tabuladas destas perguntas seriam reais demandas sociais, problemas que, na visão da maioria dos cidadãos são graves, muito sérios, ameaçadores e que por este motivo precisam cessar ou reduzir para que aconteça uma promoção dos indivíduos e consequentemente da sociedade. Outra questão interessante a partir deste ponto é a constatação de que uma ação ou projeto enquanto apenas planejado, escrito, é apenas uma proposta. Depois de realizados de fato é que temos o resultado. Logo, nós temos duas classificações: assistenciais ou sócio-transformadores e temos para classificar também dois itens: propostas e resultados, ou seja, uma proposta já pode ser classificada como assistencial ou sócio-transformadora e depois de operacionalizada, seu resultado será uma ação de fato assistencial ou sócio-transformador. Se as ações ou projetos enquanto apenas escritos estão focadas naquelas demandas generalizadas da sociedade eu as classifico como propostas sócio-transformadoras (pelos motivos que já expliquei) e se após realizados de fato conseguem mudar a realidade antes descrita para melhor, então são ações ou projetos que alcançaram a sócio-transformação ou simplesmente “impacto”. Observe que uma proposta (ação ou projeto apenas escrito) classificado inicialmente como sócio transformadora pode ser, após colocado em prática, uma ação ou projeto assistencial. Exemplo: constatou-se que uma das preocupações que seria demanda generalizada da sociedade seria o desemprego e a partir daí eu escrevo um projeto visando geração de emprego: neste caso a PROPOSTA é sócio-transformadora. Porém após desenvolvidas as ações do meu projeto, verifico que o público que passou pelas atividades continuou desempregado: neste caso o PROJETO foi assistencial (colaborou mas não mudou realidade ou mudou algo que não era o foco). Já o contrário (proposta assistencialista conseguir resultado sócio-transformador) entendo como raro de ocorrer e se ocorrer entendo como resultado involuntário, pois não seria motivado pela ação ou projeto. Exemplo: escrevo um projeto somente e exclusivamente para oferecer abrigo provisório à moradores de rua: neste caso a PROPOSTA é assistencialista e provavelmente eu não mudei a realidade destas pessoas que passaram pelo abrigo e elas estão na mesma condição de antes: PROJETO foi assistencialista. Se eu depois perceber que em média as pessoas que passaram por lá se espelharam em mim e deixaram de ser moradores de rua e estão trabalhando, entendo este resultado como involuntário, pois no meu exemplo não fiz nada planejado para isto (só ofereci abrigo), portanto isto não muda a classificação do projeto que continua assistencialista. Com o raciocínio criado a partir de todo o texto, acredito que tenha ficado mais claro de entender porque também eu entendo que um projeto ou ação que não tenha foco na mudança de problemas que são demandas generalizadas da sociedade são assistencialistas. Assim os entendo nem sempre porque não transformam pessoas, mas sim quanto os aspectos que são transformados não são demandas sociais (definidos pela sociedade como problemas). Exemplo: demanda social identificada na parte da sociedade trabalhada (público alvo: no estado, município, bairro, comunidade, etc) era emprego e meu projeto que foi escrito com esta finalidade (proposta) após aplicado transformou a auto-estima das pessoas (que não era a demanda). Naquele período que o desenvolvi (ano, mês, dias) e consegui este resultado, o projeto foi assistencial e quando um dia eu conseguir chegar à redução do desemprego, demanda social, então eu teria conseguido a promoção social e neste momento meu projeto seria classificado como sócio-transformador. Se não é demanda social e sim pessoal ou coletiva, é uma assistência àquela pessoa ou grupo, promovendo (evoluindo) a pessoa ou grupo e não a sociedade, logo não é sócio-transformador. Isto porque entendo “social, sociedade” como algo “macro”, público e não coletivo. Depois de toda esta discussão em torno das classificações de ações e projetos assistenciais ou sócio-transformadores, ficam no ar as perguntas: Qual deles é mais necessário? Qual deles é mais importante? Qual deles é mais emergencial? Não vejo a classificação de “assistencialista” como pejorativa ou de menor importância, afinal, moramos no Brasil e sabemos que emergência é algo que não pode esperar e deve ser tratado em curto prazo, logo, muitas ações e projetos assistencialistas são emergenciais, necessários e prioritários. Entendo que, em nosso país, eles sempre precisão existir, talvez com o decorrer do tempo em menor grau e volume para não fomentar o comodismo e por isto defendo a idéia de evolução do status de assistencialista para sócio-transformador, nos casos e situações em que isto for possível. Seria demagogia minha dizer que não tenho esperança de que a sócio-transformação seja o objetivo de todos que trabalham no terceiro setor, nem que seja em paralelo ao paliativo do assistencialismo. Realmente este é meu desejo como cidadã. Não tenho a mínima pretensão de lhes convencer sobre nada do que disse neste artigo, até porque não acredito em “verdades” inquestionáveis, apenas me proponho a dar publicidade ao que penso, porque penso a partir da experiência que adquiri trabalhando, ouvindo e estudando o Terceiro Setor, oportunidade que nem todos têm e me sentiria muito egoísta se não partilhasse “minhas verdades” com outras pessoas. Fiquem à vontade em dar a elas destinação que lhes for conveniente. Ana Cláudia P. Simões Lima

Palavras-chave: A Gazeta, Assessoria, Captação De Recursos, Certificações, Consultoria Tributária, Diagnóstico Institucional, Elaboração de projetos, Incentivos Fiscais, Ong, ONG´s, palestras, Prestação de contas, Profissionalização do terceiro setor, Social em Foco, Terceiro Setor,

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A consultora em investimentos sociais ANA CLAUDIA P SIMOES LIMA escreve semanalmente para o Jornal A Gazeta a coluna Social