CASA DE APOIO A USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS

CASA DE APOIO A USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS de CASA DIA DE UBERABA-MG

Por: CASA DIA DE UBERABA-MG  18/05/2009
Palavras-chave: casa dia

        “SE VOCÊ QUISER USAR, O PROBLEMA É SEU. SE VOCÊ QUISER PARAR; O PROBLEMA É NOSSO!”                             CADA – CASA DE APOIO AO DROGADO E AO ALCOÓLATRA CASA DIA DE UBERABA – MG. RUA: SETE DE SETEMBRO, 111 BAIRRO: EEUU / RUA: GAIVOTA, 04 – BAIRRO: PONTAL CELULARES: 9964-9537/9106-2692/3076-0462 CEP: 38.055-150 -UBERABA – MG. e-mail: casadiauberaba@hotmail.com ENTIDADE beneficente e de assistência social 44006.05627/97-14 DOU. 24/06/1998 UTILIDADE PÚBLICA MUNICIPAL N* 6799/98 UTILIDADE PÚBLICA ESTADUAL N* 1031/2000 UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL – MINISTÉRIO DA JUSTIÇA PROCESSO 8.204/00-00 DILIGÊNCIA 1460/00 SECRETARIA NACIONAL ANTIDROGAS N* 00181.000059/2003-78 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MARCAS/ IPI – 822494248 CNPJ 02.087.744/0001-10                                   SOBRIEDADE COM CONSCIÊNCIA     Manual de Procedimentos DESTINADO AOS RESIDENTES, FAMILIARES E INTERESSADOS                       O material que ora apresentamos, não pretende sustentar um fim em todos os seus argumentos ou premissas, por isso, será necessário que quando de seu manuseio, você leitor, possa nos sugerir tais mudanças para que seja incorporado nos próximos exemplares.     Amplexos!     CASA DIA DE UBERABA-MG casadiauberaba@hotmail.com   UM PROJETO EM FAVOR DA VIDA!   Sumário CONHECENDO UM POUCO A CASA DIA..........................  03 INTRODUÇÃO......................................................................... 05 CLIENTELA ..............................................................................06 EQUIPE DE TRABALHO ........................................................08 META DE ATENDIMENTO.................................................... 09 CRITÉRIO DE ADMISSÃO..................................................... 10 CRITÉRIO DE PERMANÊNCIA............................................. 11 CRITÉRIO DE SAÍDA.............................................................. 12 MODALIDADE DE TRATAMENTO...................................... 14 REGULAMENTO INTERNO................................................... 15 12 TRADIÇÕES DA CASA DIA.............................................. 25 TRABALHO COM FAMÍLIAS...............................................  28 PROJETOS EXECUTADOS....................................................  30 PROGRAMAÇÃO DIÁRIA BÁSICA.....................................  32 FINANCIAMENTO DA PROPOSTA...................................... 34 CARACTERÍSTICA /MOVIMENTO COMUNIDADES TERAPÊUTICAS...................................................................... 35 SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS............................................. 44 O QUE É UMA COMUNIDADE TERAPÊUTICA  E COMO ELA FUNCIONA?.....................................................................47   MANEJO INSTITUCIONAL ..................................................  53   REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................67         I-      CONHECENDO UM POUCO A: CASA DIA DE UBERABA-MG         A "Casa Dia de Uberaba" teve seu primeiro registro Cartorial em 1994, consolidando sua Fundação em 1996. É uma Entidade Não governamental, sem fins lucrativos, beneficente de assistência social; onde tem como missão institucional: Desenvolver um trabalho de auto-ajuda com usuários de substâncias Psicoativas (SPA) e seus familiares objetivando a melhoria da qualidade de vida, com promoção psicossocial do indivíduo, na conquista de espaços sólidos na família e comunidade. A sua origem se deu na cidade de Americana-SP, com proposta idealizada por Eyn Melo Ribeiro.   Em Uberaba-MG à casa de apoio ao drogado e ao alcoólatra- Casa dia de Uberaba foi fundada em 09/09/1996 se concretizou quando do retorno à cidade de adictos que por lá passaram, entre eles o prof°. Tadeu Luciano Pereira, Pedagogo, Mestrado em História, que em conjunto com 25 pais foram os fundadores desta proposta.                       A nossa proposta teve como objetivo: Restabelecer novos vínculos afetivos, intelectuais, sociais, morais, com a coletividade e com a família. Busca-se a interiorização de um programa sintetizado livremente em 12 passos e 12 tradições de profundo efeito moral positivo, os 12 passos consistem basicamente no autoconhecimento, na visão do Alcoólatra ou usuários de (SPA) com relação ao mundo, à vida à sua espiritualidade na aceitação do problema, bem como a busca incessante pelo conhecimento interior, enfocando sempre os aspectos:   Espiritual, intelectual, afetivo moral, familiar, além disso, os usuários (SPA) são integrados a uma nova rotina diária aprendendo a se reorganizar internamente e externamente, buscando a reintegração familiar e social.                 04     II-   INTRODUÇÃO           A “CASA DIA de Uberaba” teve seu primeiro Registro Cartorial em 1.994 e consolidado sua fundação em 1.996. É uma Entidade não Governamental, de fins não econômicos, onde tem como “Missão Institucional”, desenvolver um trabalho de Auto-Ajuda com dependentes Químicos de Substâncias Psicoativas e seus Familiares.     III- CLIENTELA     Usuários de Substâncias Psicoativas, de ambos os sexos, sem restrições de saúde global e idade após os 18 anos. Para adolescentes é necessário encaminhamento e acompanhamento do respectivo Conselho Tutelar ou por ordem Judicial, mas os casos são considerados de forma restritiva em função da estrutura existente e da dificuldade em estabelecer convivência com os pares adultos.                                         As vagas são limitadas, dependerá de estudo de caso, assim sendo, somente se correrem risco de vida e houver uma pactuação possível para este tipo de atendimento. Na construção do modelo de atendimento foi possível adesão de alguns casos, mas ainda pouco utilizado em função do custo e do manejo específico para esses casos, bem como, por haver espaços específicos que atendem os institutos do Estatuto da criança e do Adolescente.                           07                 IV-   EQUIPE DE TRABALHO                 Profissionais envolvidos:   1.  Pedagogo; 2.  Psicólogo; 3.  Médico (clínico geral) 4.  Advogado; 5.  Coordenador administrativo; 6.  Professor; 7.  Voluntários diversos                                                       V-      META       Ø A META É DE 20 PESSOAS EM REGIME DE ABRIGAMENTO OU RESIDÊNCIA TEMPORÁRIA EM DUAS [02] UNIDADES DE ATENDIMENTO, SENDO MAIS 12 PESSOAS EM SEMI-RECOLHIMENTO E 10 EM PÓS-TRATAMENTO. Ø A MÉDIA DE ATENDIMENTO FAMILIAR COMPREENDE CERCA DE 25/30 PESSOAS POR SEMANA.                                               VI-   CRÍTERIOS DE ADMISSÃO   ·         Voluntariedade para o tratamento; ·         Adesão da família e / ou Responsável para o tratamento; ·         Avaliação da equipe de trabalho; quanto a existência de comorbidades psiquiátricas, orgânicas que sejam restritivas a convivência comunitária.D acordo com RDC 101, não e público alvo comorbidades consideradas moderadas. ·         Manter-se em total abstinência durante o período de recolhimento e antes por pelo menos 24 horas; ·         Não produzir comportamentos que possam comprometer a sua adesão inicial.                                                         VII- CRITÉRIO DE PERMANÊNCIA   ·         Interesse de buscar seu tratamento, através da programação sugerida; ·         Respeito às regras e a convivência; entre os residentes ·         Estar atento a agressões físicas, sexo e uso de drogas no seting terapêutico ·         A família integrar-se ao tratamento e serem freqüentes as reuniões e programação sugerida                                                 VIII-CRITÉRIO DE SAÍDA     ·         Consciência de sua estrutura emocional na lógica da permanência estabelecida por ele; ·         Vivência da programação sugerida; ·         Bom relacionamento com os residentes e familiares; ·         Ter objetivo e metas definidas; ·         Participação da família em tratamento; ·           Mudança na forma de resolver problemas e de padrões melhorados de conduta e vivência social. ·         Fortalecimento de vínculos sociais, inclusive familiares.                                     IX-   MODALIDADE DE TRATAMENTO:     A Casa Dia trabalha com o usuário de álcool e outras drogas, de ambos os sexos em 03 (três) regimes: Recolhimento, Semi-Recolhimento e Pós-tratamento. O período de recolhimento, inicialmente é de 90 (noventa) dias, onde através da programação sugerida procura-se levar o Usuário de (SPA) a repensar o seu modo de vida, suas opções e seu relacionamento sócio-familiar. Durante este período a família também inicia o seu tratamento com a participação em reuniões no mínimo semanais. Para cada pessoa acolhida a necessidade de traçar uma meta diferenciada estruturará o plano terapêutico, que irá caracterizar as possíveis motivações para dar vida a sua caminhada.                                     O período de Semi-Recolhimento é iniciado após esta primeira etapa, onde o residente começa a sua reinserção social e possivelmente para os que ainda possuem a convivência familiar, na busca por continuidade escolar ou atividade trabalhista, ou ainda, retorno a convivência com o núcleo familiar, etc. Esta etapa também é marcada por maior aproximação familiar, que propiciará reflexões acerca das metas convencionadas a serem alcançadas. A convivência com a Casa Dia é desenvolvida e efetuada dentro das particularidades de cada indivíduo que busca este nível de estruturação. O período de Pós-Tratamento é considerado como iniciado com a maturidade e conscientização do Residente e de sua família com relação a Dependência como uma importante condição de superação continua,tanto de forma filosófica, científica enquanto doença e sobretudo espiritual.                       13                           Nesta etapa é necessária a manutenção pela participação do usuário (SPA), bem como, de seus familiares ou responsáveis em grupos de ajuda mutua, aderindo se possível a acompanhamento terapêutico especializado especifico para cada caso.                             14                 X- REGULAMENTO INTERNO         A “CASA DIA” e a “CHÁCARA DIA” são espaços de residência dos usuários, portanto, considerado por nós gestores como área de busca das verdades sobre si mesmo, encontrando no vocábulo médico como sendo de tratamento.   Derivado de momentos de grande trabalho interior e investimento pessoal intransferível. Todas as atividades desenvolvidas são significativas para seu crescimento pessoal, dependerá de como será feita esta leitura ou de como será interpretada esta nova realidade. A seguir, algumas considerações a respeito de normas e funcionamento da “Casa Dia” e da “Chácara Dia”, dentro da flexibilidade e adequações que buscamos aprimorar, mas ainda deficitárias para as três modalidades de atendimento:                                     1- As atividades de alimentação, manutenção, limpeza e conservação do imóvel serão realizadas pelos próprios residentes da Casa Dia; bem como todas as atividades associadas ao cuidado de higiene; do vestuário, que é de caráter coletivo e individual sem conotar escravidão branca, mas estrutura de laborterapia necessária.     2- As atividades de laborterapia serão definidas semanalmente ou diariamente, através de escala prévia onde os próprios residentes estruturarão os seus regramentos quanto a divisão de tarefas ou grupos, sistemáticas ou de forma orientada por outros atores partícipes dessa convivência cotidiana.   3- O cuidado com o vestuário particular (lavar e passar roupas) terá horários e dias pré-estabelecidos, também distribuídos por escala objetivando economia, eficiência que possa atender a todos sem prejuízos a programação diária.             16                 4-   Fica restringindo como ato proibitório relativo o trânsito de pessoas estranhas nas dependências da instituição em medida ajustada pó segurança.     5- É desaconselhável ao próprio residente, a troca de qualquer objeto de uso pessoal que possa trazer prejuízos a convivência.   6- O horário da laborterapia pela manhã deverá ser iniciado logo após a primeira reunião do dia, ou seja, a espiritualidade: das 09h00min às 10h30min e o período vespertino das 15h00min às 17h30min horas. As exceções referentes a qualquer mudança neste horário somente ocorrerão em função de fatos imprevisíveis que comportem alterações de tais condições que desde já ficam alinhadas por convenção dos usuários e trabalhadores do sistema.                     17                         7- É desaconselhável a qualquer pessoa armazenar alimentos em guarda-roupas, propiciar acúmulos de roupas sujas, troca de leitos ou quartos sem consenso do grupo por motivo personalista ou de formação que desagrade outros pares, ainda da mesma forma: uso de aparelhos sonoros em volume acima do tolerável, recolhimento depois do horário pactuado para o sono e despertar em horários além do que da mesma for estiver sendo convencionado, exceto nos casos em que comporte a tolerância em função observada como sendo involuntária, continua da mesma forma advertido o uso de tabaco nos quartos, sala de reuniões, telefonemas sem autorização, saídas da casa em bloco ou individualmente sem autorização, uso de celulares, etc.           18                     8- É desaconselhável na “Chácara Dia” colher frutos, verduras, flores, comercializar ou retirar qualquer bem em benefício próprio, senão coletivo dentro da Visão do bom uso da estrutura Institucional.     9- Os casos de desistência voluntária ou desligamento de forma administrativa ou ainda por decisão por exclusão pelo próprio grupo de convivência serão motivados a buscar apoio através de freqüência em reuniões nos grupos de ajuda mútua ou ainda, podendo ser referenciados para outras modalidades de interesse se assim necessitarem e aceitarem. Será comunicado [exceto se não for possível] via telefone, fax, emails, por carta padrão os responsáveis imediatos, além de arquivar o ciente registro do fato que concorrerá em restritiva futura por nova adesão dependendo da situação geradora do fato.               19                   10-      A lógica da convivência terá como Fundamento a Programação dos 12[doze] Passos oriundo dos Estados Unidos da América como equipamento de livre prática, mas que alude condicionamento para entendimento contidos em no mínimo 270 encontros pôr período sugerido de no mínimo 90 dias.     11-      As atividades desenvolvidas estarão sendo organizadas em horários pré-estabelecidos, inclui-se além da Programação de 12[doze] Passos, a Espiritualidade dentro e fora do setting, além do atendimento individualizado, coletivo e do acompanhamento médico.                 20                 Exclui-se o sectarismo religioso com abertura a qualquer grupo que possa direcionar com responsabilidade doutrina significativa a estrutura e funcionamento dessas peculiaridades contidas na Carta Magna Brasileira, mas que deixa evidenciada a nossa proposta como sendo de cunho eminentemente protestante.   12-      As Visitas domiciliares serão realizadas pelo residente após 30/45 dias em seu domicílio se existir condições para tal, podendo ser inverso e permitindo hospitalidade de parentela no ambiente desde que existam condições para a situação em voga, devendo ser possuidoras de foro íntimo e parentela próxima em primeiro e segundo graus.     13-      Todas as visitas para dentro da instituição deveram ser comunicadas previamente e deverão pelos que delas necessitarem, respeitadas as limitações suportadas por nossa comunidade na convivência com os demais pares que utilizam este sistema.         21                 14-      Os familiares poderão telefonar sempre que desejarem de acordo com a conveniência e a necessidade, mas em conformidade com a agenda escalonada pelos usuários a fim de evitar ligações desnecessárias ou em demasia que comprometam a tranqüilidade da programação diária.     15-      Todo e qualquer voluntário, no início de suas atividades deverá assinar o Termo de Adesão, de acordo com a Lei Federal n*9608, de 18 de fevereiro de 1998.   16-      O usuário do sistema residente na Casa Dia ou Chácara Dia, durante sua permanência estará responsável pela garantia dos regramentos de convivência devendo manter o respeito mútuo e um ambiente livre de drogas, sexo ou violência.                         22               17-      Por Lei Federal, é proibido o uso de tabaco (cigarro e de “sui generis”) dentro da entidade a não ser em área reservada para este fim, optando a nossa estrutura pela não proibição ao uso de tabaco, mas orientando e propiciando condições para o tratamento do mesmo caso haja interesse ou necessidade.   18-      Não há privilegio entre os usuários de (SPA), independente do sexo, cor, idade, condição social, credo ou financeiro.     19-      Em caso de abandono da programação e afastamento do recolhimento, os seus pertences pessoais e documentos ficarão caso abandonados sob a guarda e cuidados até que sejam retirados por responsável ou outros atores que não o fazendo em prazo de 30 dias serão postados ou distribuídos caso não sejam reclamados aos que deles tiverem necessidade ou interesse.                   23                   20-      Será registrado por ocorrência policial todos os casos que colocarem em risco ou confronto os princípios legais do ordenamento jurídico vigente em nosso País ou que sejam necessários para defesa de tudo e de todos os afetos a este ambiente.           DISPOSIÇÕES GERAIS e TRANSITÓRIAS:   Qualquer outro dispositivo regimental não produzido aqui, poderá ser incorporado pela oportunidade e a conveniência.               24             XI-12 TRADIÇÕES da “CASA DIA”:   1-   Todo bem deve Ter origem na espiritualidade, deve ser um fato de consciência.   2- Nosso objetivo deve ser não apenas suportar com coragem as dificuldades, mas fazê–lo com amor.     3- Nós nos apresentamos sempre como somos, sem falsa humildade, afetação ou orgulho.   4- Prometemos sinceridade, não criar falsas ilusões e sermos firmes com a ajuda de “DEUS” em busca de nossos propósitos.                                   5- Seremos sempre prontos a ouvir e ponderados no falar.   6- Cada grupo deve ser autônomo, menos nos assuntos que digam a respeito “CASA DIA” como um todo.     7- Nossa vaidade não deve superar nossa bondade.   8- Não devemos emanar autoridade que obrigue os que estão chegando a aceitar nossa posição como verdadeiras.     9- Nossa alma deve estar plenamente desperta no que diz respeito a “DEUS”.                 26               10-         O ajudar, o velar, o ser útil deve provocar uma aproximação com “DEUS”, e não sentimento de potência.     11-         Pregaremos pelo exemplo o respeito a todos os homens e seremos exigentes em nossos deveres para com os outros.   12-         Sabemos que somente nossa divina majestade pode transformar angústia em profunda e duradoura felicidade.                           27             XII- TRABALHO COM FAMÍLIAS       É essencial o envolvimento da família como parte integrante dessa convivência intitulada como sendo de tratamento, dando especial atenção à dinâmica familiar, relação de poder positivadas em bons resultados, metas, valores, reestruturação das relações estabelecidas.   A integração com a família e a possibilidade de uma sincera relação de dialogo desde o início fortalecerá um verdadeiro estabelecimento de parceria neste processo, possibilitando a quebra de segredos e mentiras que terminaram se tornando verdades. Incumbe aos familiares freqüentadores de nossas atividades a busca constante pela reorganização da própria dinâmica interior.                         A vocês, famílias estarão sempre sendo convidadas a construir melhor este espaço de forma sistemática, significando poder em previsão futura ofertar as nossas melhor para os que ainda não chegaram.   Nunca deixará de ser interessante pensar que pessoas incompletas se completam com os outros e que o grande mistério consiste em reconhecer as verdades sobre si mesmo.                       29                 XIII- PROJETOS EXECUTADOS         ·           Atendimento ao usuário (SPA): Programa de 12 passos; Orientação Psicológica; Lazer, Esportes; Intercâmbio com outros grupos;encontros;seminários;cursos a distância;publicação de livros;pesquisa científica;captação de recursos por editais, militância em outros setores.                                           ·           Atendimento familiar: Reuniões Sistemáticas e em parceria com grupos de AJUDA-MÚTUA, tais como: Amor Exigente, e, NATA; visitas domiciliares; marcenaria; hidropônica; NOVA SEDE PARA A CASA DIA confraternizações; convivência institucional; estruturação de projetos alcançados, melhorias nas condições físicas e profissionais.   ·           Plantão Educacional; ·           Projeto pequenas parcerias com Escolas e Empresas;   ·           Publicações/Revistas, Periódicos e preparação para a Edição do 3° livro em 2009.                     31                   XIV- PROGRAMAÇÃO DIÁRIA BÁSICA     [DE SEGUNDA Á SEXTA FEIRA]   06h30min: Despertar 07h00min: Café 07h30min: Espiritualidade 09h00min: Laborterapia manutenção da chácara e Cuidados com os pertences pessoais 10h00min às 11h30min: Reunião de 12 passos 12h00min: Almoço 13h30min: Livre 14h30min: Laborterapia                                 16h00min: Reunião de estudo da literatura 16h30min: Café da tarde 18h30min: Banho 19h00min: Jantar 20h00min às 21h30min: Reunião de sentimento 22h00min: Previsão para Recolher       Obs.: Flexível em seus horários [SÁBADO] – manutenção/saídas/lazer, esporte, etc.   [DOMINGO] - igreja período noturno   [OBSERVAÇOES GERAIS]: NÃO ESTÃO INCLUSAS, AS SAÍDAS PARA DENTISTA, COMPRAS, ESPECIALIDADES MÉDICAS, ESCOLA, TRABALHO, VIAGENS, ETC...         33                       XV- FINANCIAMENTO DA PROPOSTA     A idéia inicial era de manuntenção através das famílias [mensalidades], o que foi sendo inviabilizado pela condição socioeconômica das mesmas que nos buscavam; desencadeando buscas de parcerias externas e doações que detém grande parte de nosso tempo na dedicação exclusiva necessária. Desde então, por iniciativas de seus gestores a "Casa Dias busca colaboração através de órgãos Municipais com pouco sucesso, Federais (SENAD, MIINISTÉRIO da JUSTIÇA, LEGISLATIVO FEDERAL, etc.), com menor potencial de continuidade e por fim, junto ao Governo de Estado onde tem tido maior reconhecimento e melhorado a estrutura em tão pouco tempo.                               XVI- CARACTERÍSTICAS DA COMUNIDADE TERAPÊUTICA   MOVIMENTO DAS COMUNIDADES TERAPÊUTICAS Em 1860 foi fundada uma organização religiosa chamada Oxford. Esta organização era uma crítica à Igreja da Inglaterra e seu objetivo era o renascimento espiritual da humanidade. Originalmente chamada Associação Cristã do I Século, acabou mudando de nome em 1900 para Moral Rearmement.             Este grupo, conhecido como Grupo de Oxford, buscava um estilo de vida mais fiel aos ideais cristãos: se encontravam várias vezes por semana para ler e comentar a Bíblia e se comprometiam reciprocamente a serem honestos. Entre 10 e 15 anos depois, constataram que 25% dos seus participantes eram alcoolistas em recuperação. Nos Estados Unidos, participantes desse grupo se reuniam para partilhar o empenho e o esforço que faziam para permanecer sóbrios; desta maneira nasceu o primeiro grupo de Alcoólicos Anônimos (AA - fundado em AKRON - OHIO, pelo cirurgião Bob e o Corretor de NEW YORK BILL, em 1935) que com o passar dos anos se tornou o maior grupo de Auto-Ajuda do mundo. Os AA além do afeto e acolhimento demonstram, a cada momento, muita disponibilidade em relação aos membros do grupo, em casos de necessidades. No dia 18 de setembro de 1958, CHUCK DEDERICH e um pequeno grupo de alcoolistas em recuperação decidiram viver juntos para, além de ficar em abstinência, buscarem um estilo alternativo de vida.         36       Fundaram em Santa Mônica, na Califórnia, a primeira Comunidade Terapêutica (CT) que se chamou Synanon. Adotaram um sistema de relacionamento direcionado em uma atmosfera quase carismática, o que para o grupo foi muito terapêutico. A aplicação do conceito de ajuda às pessoas em dificuldades, feita pelos próprios pares, é a base das relações vividas na Synanon, posteriormente em Daytop, onde cada pessoa se interessa e se sente responsável pelas outras. Desde o início acolheram alguns jovens que estavam tentando ficar em abstinência de outras drogas e em decorrência disto a Comunidade Terapêutica que teve seu início com uma CT para alcoolistas, abriu suas portas para jovens que usavam outras substâncias psicoativas. Esse tipo de alternativa terapêutica se consolidou e deu origem a outras CTs que, conservando os conceitos básicos, aperfeiçoaram o modelo proposto pela SYNANON. A Comunidade Terapêutica DAYTOP VILLAGE é o exemplo mais significativo deste tipo de abordagem. Foi fundada em 1963 pelo Monsenhor WILLIAM BÓBRIEN e DAVID DEITCH, tornando-se um programa terapêutico muito articulado.       37       Com a multiplicação das iniciativas desse tipo de abordagem terapêutica na América do Norte, a experiência atravessou o Oceano Atlântico e deu início a programas terapêuticos no norte da Europa, principalmente na Inglaterra, Holanda, Bélgica, Suécia e Alemanha. No início de 1979, a experiência chegou à Itália, onde se fundou uma Escola de Formação para educadores de CTs. Os educadores que passaram por essa formação deram um novo impulso na Espanha, América Latina, Ásia e África. No campo psiquiátrico, acontecia uma outra revolução: a experiência de comunidade terapêutica democrática para distúrbios mentais. O psiquiatra escocês Maxwell Jones, trabalhando durante o período da II Guerra Mundial no hospital Maudsley em Londres e, sucessivamente nos de Henderson e Dingleton, de 1945 a 1969, transformou o trabalho tradicional e, como terapia, utilizava a psicoterapia individual e de grupo, eliminando ao máximo o uso de medicação e envolvendo os pacientes nas atividades propostas.         38       O ex-psicanalista americano, HOBART O. MOWRER, impressionado positivamente pela capacidade de recuperação através da abordagem das CTs, começou a estudar o fenômeno, sua história, os conteúdos e descobriu, através de diferentes experiências, pontos em comum que confirmaram algumas de suas hipóteses. A saber: ·                    Compartilhar: é um dos valores fundamentais e comuns. A referência não é somente em relação aos bens, mas de compartilhar com os membros do grupo o que cada um possui do ponto de vista humano. ·                    Honestidade: é outro ponto forte que emerge do fenômeno das CTs: "Participe do grupo e fale coisas de você, não de política, trabalho ou de outras coisas. Fale do que provoca medo e dor dentro de você” (Synanon). É uma referência clara à necessidade do ser humano de comunicar-se, sem máscaras, em relações humanas autênticas. Essa honestidade diante do grupo é um valor muito antigo; apareceu nas primeiras comunidades cristãs e era chamada confissão aberta ou auto-revelação.       39     Outra característica que aparece nos estudos do Dr. Mowrer é o abandono, nas relações terapêuticas, da posição clássica vertical médico e paciente. As interações que se estabelecem entre as pessoas rompem as estruturas rígidas da hierarquia, do cargo e oferecem mais possibilidades de ajuda. As funções, muito flexíveis, garantem a estrutura e a organização da vida comunitária. A atenção é colocada sobre o indivíduo no grupo ou na comunidade. Ele é o verdadeiro protagonista das ações terapêuticas porque sabe do que precisa porém, sozinho, é incapaz de buscar, por isso a importância da auto- ajuda. Cada indivíduo é responsável pelo seu próprio crescimento e pede a ajuda necessária aos outros para se ajudar. Sendo assim, cada um é "terapeuta" para si mesmo e para os outros componentes do grupo, da comunidade. A hierarquia é, unicamente, funcional e não interfere nas relações entre as pessoas. A vida comunitária não poderá ser terapêutica se não desaparecer a dualidade equipe-residente. Isto significa que, enquanto existir dentro da mesma estrutura o grupo que "faz" o tratamento e o grupo que o "recebe" está muito longe da verdadeira terapia de grupo na CT.         40   O agente terapêutico não é a estrutura da CT, as regras, os instrumentos, mas tudo aquilo que estes instrumentos podem fazer para que cada residente possa viver experimentar uma relação verdadeira e o amor entre as pessoas. A observação do comportamento instrumentaliza o indivíduo e o grupo a avaliarem os processos e o grau de integração social alcançados. A observação objetiva das ações propicia a cada pessoa se responsabilizar pela avaliação de seus progressos, de seu crescimento e permite ao grupo a possibilidade de fazer distinção entre a pessoa e seu comportamento.Espiritualidade: todos esses grupos são capazes de resgatar e mobilizar a energia espiritual de seus componentes para que os mesmos encontrem a coragem necessária para enfrentar e buscar os objetivos propostos. A energia espiritual pode reintegrar a pessoa consigo mesma, com o grupo, com a comunidade, com a sociedade, com o seu Poder Superior. A CT tem capacidade de criar um ambiente ecumênico e oferecer os instrumentos para que o indivíduo tenha a oportunidade e a liberdade necessária para procurar sua própria origem e responder de maneira adequada a sua própria dimensão espiritual.           41     Algumas considerações de Elena Goti (1997) sobre a abordagem Comunidade Terapêutica: ·                    Deve ser aceita voluntariamente; ·                    Não se destina a todo tipo de dependente (isto ressalta a importância fundamental da Triagem como início do processo terapêutico. Muitas vezes algumas CTs, através de suas equipes, se sentem onipotentes e "adoecem" acreditando que se o residente não quiser ficar na CT é porque não quer recuperação. Não consideram que o residente tem o direito de escolher como e onde quer se tratar.) ·                    Deve reproduzir o melhor possível, a realidade exterior para facilitar a reinserção; ·                    Modelo de tratamento residencial; ·                    Meio altamente estruturado; ·                    Atua através de um sistema de pressões artificialmente provocadas; ·                    Estimula a explicitação da patologia do residente, frente a seus pares;       42       ·                    Os pares servem de espelho da conseqüência social de seus atos; ·                    Há um clima de tensão afetiva; ·                    O residente é o principal ator de seu tratamento. A equipe oferece, apenas, apoio e ajuda. Do ponto de vista cultural, o fenômeno moderno da CT está inserido na proposta da filosofia existencial que deu vida a escola da psicologia denominada Humanista.                           43   XVII- SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS Conforme definição da Organização Mundial da Saúde (OMS) são considerados substâncias psicoativas todas aquelas de origem natural ou sintética, incluindo álcool, que uma vez utilizadas, modificam as percepções sensoriais. Não fazemos distinções entre substâncias leves, pesadas, estimulantes, depressoras ou alucinógenas porque não consideramos o sintoma da dependência química através das substâncias psicoativas utilizadas, mas sim através da problemática humana que está por trás de tudo. Isso não significa que ignoramos as substâncias químicas e os efeitos que estas causam às pessoas. Quando se faz necessário tratar sintomatologia que as drogas causam às pessoas, estas devem ser encaminhadas aos serviços médicos especializados. Partimos do pressuposto que qualquer pessoa, se desejar verdadeiramente, pode parar de fazer uso de qualquer substância química sem que isso possa acarretar-lhe algum problema físico sério. A experiência nacional e internacional tem demonstrado que os sintomas da abstinência podem ser "represados" dentro da Comunidade Terapêutica, na maioria dos casos, pela alta coesão do ambiente criado pelo grupo.         Dramatizar a crise de abstinência, muitas vezes, é um jogo das pessoas que querem parar de usar drogas, porém não estão dispostas a lutar verdadeiramente para conseguir. Isso reforça o comportamento típico do dependente químico, ou seja, conseguir alguma coisa sem, na verdade, "lutar para", como é a dinâmica que a vida impõe a todos os seres humanos. A droga esconde o sentimento de incapacidade, falência, impotência etc. E para que haja um processo de recuperação é necessário o abandono total de quaisquer substâncias psicoativas (exceções para pessoas com comprometimentos neurológicos ou distúrbios psiquiátricos além do quadro da dependência química), mudança dos comportamentos e mudança de estilo de vida. A dependência química não pode ser tratada com medicação alternativa para aliviar o sofrimento que a própria doença causa porque este tipo de medicação impede o dependente de entrar em contato consigo mesmo, perpetuando o seu estado de dependência. Nenhum dependente consegue fazer uso de substâncias psicoativas todos os dias na quantidade e qualidade que deseja; algumas vezes não faz uso por diversos dias e não morre por crise de abstinência. Sabemos que a crise de abstinência pode ser sentida, mas o dependente, muitas vezes, quer impressionar para ver se consegue algum tipo de medicação alternativa quando não consegue obter a(s) dose(s) habitual (ais).     45     O dependente não precisa de nossa compaixão ou pena pelo mal estar provocado pela crise de abstinência. A manipulação do dependente intensificando os próprios sintomas da crise é quase automática. Porém, quando eles demonstram o desejo de parar de usar e recebem a ajuda adequada, existe uma grande possibilidade de "deixar" a droga. Esse é o momento de oferecermos uma proposta alternativa e uma mudança de estilo de vida. Devemos evitar intervenções confusas que podem prejudicar o dependente. A qualquer momento que o dependente não consiga ou não queira aceitar as propostas do programa deve ter a liberdade de fazer outras escolhas (é importante se fazer uma última tentativa no intuito de ajudá-lo a entender o porquê de outras escolhas) ou ser encaminhado a outras propostas. É importante evitarmos a confusão, pois este é o terreno predileto do dependente.               46     XVIII - O QUE É UMA COMUNIDADE TERAPÊUTICA E COMO ELA FUNCIONA?     Uma Comunidade Terapêutica (CT) é:   UMA MICRO-SOCIEDADE:   Uma CT pode parecer óbvia, mas, é, em primeiro lugar, uma comunidade. Ou seja, dentro de um espaço físico apropriado, é montada uma micro-sociedade, contendo todos os elementos de uma grande comunidade ou sociedade. Se em nossa cidade ou estado há a necessidade de um prefeito ou governador, na CT há um representante do grupo com função de liderança. Como é necessário que tenhamos leis e normas em nosso país, dentro da CT há uma série de normas que norteiam o comportamento dos residentes.           Como uma dos principais fatores de uma sociedade é o trabalho, dentro da CT haverá o trabalho, e assim por diante. A única diferença maior entre uma CT e outras sociedades é a inexistência de álcool e outras drogas em seu interior.   VOLTADA À RECUPERAÇÃO DOS USUÁRIOS DO SISTEMA:   Uma CT somente existe para servir de auxílio à recuperação dos internos, sendo, por isso, chamada "Terapêutica". Nada é feito dentro de uma CT que não vise, direta ou indiretamente, o tratamento dos dependentes.           48     COMO FUNCIONA UMA CT? Uma CT funciona com base em três elementos terapêuticos principais, os quais devem existir, ou não se tem uma CT. Estes três fatores primordiais do tratamento são:   1] DISCIPLINA: Vencer as defesas internas da doença não é fácil para o dependente. Ele precisa remontar sua vida, começando quase que do zero. Todos os aspectos de sua vida (família, emprego, sentimentos, hábitos etc.) terão que ser mudados de uma vida de Dependência para uma vida de Independência do álcool e de outras drogas. É necessária muita autodisciplina para que ele possa fazer isto efetivamente.             49       Acontece que a própria vida de dependência e as próprias características da doença fazem com que a autodisciplina do dependente seja mínima. Ele necessita, portanto, de uma ajuda externa que o acostume à disciplina, às normas, ao que é preciso. Por isto, a vida em uma CT é normatizada, de forma que o desejo individual fique em segundo plano em relação às necessidades da Comunidade.             50   2] TRABALHO: O dependente perde, com a vida de dependência, um dos elementos primordiais da vida em sociedade: o trabalho. Estando sua atenção voltada ao álcool e a outras drogas, ele perde os benefícios de trabalhar, o prazer de fazer bem feito, a responsabilidade, o sentimento de ser útil para a sociedade. Dentro de uma CT, cada interna contribuirá com sua parcela de trabalho para o bem-estar de todas.                 51               3] ORAÇÃO:   É normal o dependente, ao "endeusar" o álcool ou outras drogas, se afastar de Deus. Todo dependente acaba tendo alguma forma de problemas de relacionamento com Deus, que em nada contribui para sua recuperação, muito pelo contrário. Dentro de uma CT, a interna vivenciará e redefinirá sua relação com Deus. Diversas atividades estão direcionadas a este aspecto que, em nosso ver, é essencial à recuperação.         52               XIX - REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Kalina, Eduardo - Drogadição II. Editora Francisco AlvesRahm, Pe. H. J. - O caminho da sobriedade. Edições LoyolaRahm, Pe. H. J. - Doze passos para os cristãos. Edições LoyolaOsório, L. C. et col. - Grupoterapia hoje. Editora Artes MédicasLinn, Matthew / Sheila / Dennis - Abuso espiritual e vício religioso - Verus EditoraFaçamos HomensManual do curso de formação de operadores de comunidades terapêuticas italianas - Federação de Comunidades Terapêuticas Manual do curso de formação de operadores de comunidades terapêuticas do Daytop Village - Federação Mundial de Comunidades TerapêuticasJones, Maxwell - Conversando com Maxwell Jones. EditoraLinn, Matthew / Sheila / Denis - Cura da dor mais profunda - Verus EditoraA Bíblia - Teb - Paulinas - Edições Loyola                         MANEJO INSTITUCIONAL DA CASA DIA DE UBERABA, ESTADO DE MINAS GERAIS   1. Triagem A acolhida na instituição conforme estabelecido por pactuação tem sido somente através do encaminhamento do SOS DROGAS/BH, após analise inicial e busca da vaga. Ao chegar a Casa Dia, a família, residente e/ou responsável passam por uma entrevista com o psicólogo, que também é o técnico de referência do serviço. O mesmo em conjunto com outros membros da equipe vai avaliar as condições de permanência, levando em conta o momento do grupo já existente, o perfil de quem chega a real disponibilidade e voluntariedade para o tratamento, alem dos critérios divulgados.   53           A admissão é feita somente após conhecimento do funcionamento institucional, do aceite as regras mínimas e demais esclarecimento, quanto às ligações telefônicas, uso de celulares, convenção de um caixinha para despesas pessoais inclusos lazer, passeios, cinemas, caminhadas, visitas domiciliares em residência de origem.   2. CONVIVENCIA DIARIA INSTITUCIONAL. Criar um espaço de convivência coletiva é um grande desafio, partindo do pressuposto de uma gestão compartilhada com os residentes que ficam a par de todas as questões institucionais, tudo é terapêutica, a possibilidade de administrar em conjunto as questões institucionais sugere novos comportamentos a serem aprendidos e exercitados.    I.     Alimentação As compras são feitas pelos residentes com idas ao supermercado, na escolha dos gêneros alimentícios, os preços, o princípio da economia, do tempo de uso do produto, da real necessidade do mesmo em nossa casa.       54             II.     Atividades Grupais Todas as ações são essencialmente grupais, as reuniões de laborterapia, para distribuir as tarefas, onde cada residente tem a possibilidade de sugerir o que quer escolher para cuidar naquele período. O rodízio é semanal de forma a não cristalizar hábitos e pessoas nos mesmos lugares. Além de incentivar o compartilhar, com o outro já que estamos juntos e as tarefas tem sentido apenas de criar um ambiente organizado, se alguém esta em dificuldade compete ajudar. Durante o período de permanência isso é avaliado levando em conta a solidariedade, o saber colocar no lugar do outro. A dinâmica é criar momentos de gerenciamento por eles mesmos de forma a transpor isso para gerencia de suas vidas, possibilitando refletir sobre como estão lidando com questões aparentemente tão pequenas e como estão se saindo. As dificuldades aparecem traduzidas nas atitudes de comportamentos adictos, carregados de manipulação e justificativas. O processo permite intervir, pontuar, discernir, as ações e solicitar novas atitudes, se possível sugerida pelo grupo.   55               As reuniões sistemáticas de sentimento toda segunda e sexta feira, dão chance dos residentes se posicionarem, avaliarem a si mesmo. Em caso de questões polêmicas como brigas entre os pares por discussões verbais, sumiço de pertences pessoais, desejo de troca de laborterapia, quarto ou outro assunto relevante, é feito uma assembléia, com registro em ata das discussões e decisões do grupo. Alem desta temos duas reuniões diárias de 12 passos e de literatura com inserção de textos diversos, onde em muitos momentos são necessários formas didáticas de assimilação.     III.     Saídas No intervalo do almoço, que é de doze horas as treze e trinta horas, os mesmos são liberados para ida a lugares necessários como correios, telefonemas, lojas para aquisição de algum pertence pessoal, normalmente vão a pares acompanhados de residentes mais velhos geralmente a ida é tão valorizada que dificilmente ocorrem problemas.         56           IV.     Lazer No que se refere aos aspectos de lazer a Casa Dia permite uma liberdade com responsabilidade onde os residentes podem realizar caminhadas, ir a cinemas, jogos de futebol entre os residentes e a comunidade, visitas a museus etc. Todas as ações são realizadas pelo grupo, que decide aonde quer ir, o que fazer.  V.     Espiritualidade A prática da espiritualidade é algo diário e constante, com assistência formal de Igrejas evangélicas, com culto as quintas feiras na Casa Dia e ida a igreja aos domingos. Todos os dias pela manhã a primeira reunião do dia é a espiritualidade feita pelos próprios residentes, e às vezes com assistência de algum colaborador oficial das igrejas parceiras.     VI.     Prática de disciplina A necessidade de disciplina para um ambiente organizado e livre de hostilidade, o que se busca é um clima harmonioso, compreensivo já que somos diferentes quanto, cada residente vem trazendo princípios e regras diversas além de comportamentos viciantes oriundos do período de abuso de drogas. 57             Todo trato é respeitoso, nada é imposto, as normas são especificadas,quem não concorda,pode seguir duas opções ou sugerir algo melhor, ou buscar outro local. Não há prática de ações conhecidas como educativas, (lavar louças de todos) ou algo que traduza comportamentos de repetição ou exaustão. Ao invés disso é escolhida a reunião com o grupo para analisar tais dificuldades. É importante frisar que não há castigos, punição, ou qualquer espécie de constrangimento moral. Pede-se a interrupção do uso de apelidos e palavrões por relembrar atitudes impensadas de época da vida adicta. O comportamento de resistência do residente é indicio do desejo de não permanência, desta forma individualmente tais questões e outras são elucidadas.     VII.     Visitas Domiciliares A prática na Casa Dia é diferente, são os residentes é que após 30/45 dia é que vão até suas casas, onde ocorre a visita, dando a ele oportunidade de colocar em prática suas novas experiências. Consideramos que o ambiente institucional mesmo sendo aberto para visitas de parentela ficam reduzidos a um almoço e assuntos eventuais, na verdade o que   58       Precisamos é buscar os conflitos interrompidos e abordá-los buscando soluções, que com apoio psicológico durante a permanência tem surtido bons resultados. Ocorre a necessidade de atribuir tarefas para ser realizado nas visitas, o que chamamos de visitas produtivas, que vão além de um passeio, mas de um inicio de ajustamento na convivência familiar. Para aqueles que são de Uberaba, as famílias podem freqüentar a casa aos domingos, inclusive na convivência com o grupo na confecção de almoço, visitas vespertinas sempre ajustadas com antecedência.   VIII.     Interface com escola /trabalho/família   Acredito que nenhum espaço coletivo sem um investimento educacional é possível , quando a finalidade é criar bases solidas de mudança de estilo de vida, é preciso um esforço para mudar o jeito de fazerem as coisas, e incentivar e criar condições de retorno ao ensino formal. Tal atitude acaba sendo uma mudança de paradigma onde repensar ações, atitudes e sentimentos são esperados, mas represado a sua progressão.           59     Nossa abordagem permite que após um período de permanência e sendo esta preocupação parte integrante de seu projeto terapêutico, o acesso a escola seja ela formal ou, supletivo, etc. A família é consultada da importância e solicitada a contribuir neste financiamento, caso possua condições. Participar de uma empreitada assim pode dar medo, afinal, ele vai sair, e se der errado, porém é preciso criar um controle social, que favoreça o investimento. Já obtivemos bons retornos de acesso a cursinhos, universidades, ensino médio, etc. O que muda é que o controle é compartilhado, são atribuídas novas atividades ligadas ao estudo com horários formais, além da laborterapia, e é cobrado resultado. O acompanhamento no órgão de ensino também é feito e o residente esclarecido das novas normativas. Também é possível a reinserção social pelo trabalho, caso o residente não deseje retornar, ou buscar novos espaços sociais, os ajustes serão semelhantes ao processo escolar.                   60       IX.     Espaços de interface comunitária A Casa Dia de Uberaba possui ampla participação social, por quatro anos teve acento no CMAS- Conselho Municipal de Assistência Social ocupando a Vice Presidência e atualmente por decisão coletiva é membro do COMAD, eleito em assembléia. É atuante em participar de eventos, seminários, cursos de capacitação, e outros investimentos sociais. Possui parceria com governo de estado e municipal, sempre que possível participa de editais para aquisição de novas formas de captação de recursos, necessários a manutenção e promoção institucional.   3. Acompanhamento Psicológico Desenvolver um trabalho focado na abordagem metodológica sistematizada como psicossocial, onde o profissional é demandado para atender questões tanto sociais, como de aspectos internos aos residentes dentro do setting terapêutico. O enfoque da entrevista motivacional é utilizado de forma a ajudá-lo a construir objetivos, metas, reconhecer os nós críticos, limites e possibilidades. Nada é desenvolvido sem a inteira participação e envolvimento do residente.     61           O profissional presente nas ações desenvolvidas integra se ao contexto, enfocando a necessidade e importância de todos os espaços. Assim a atuação é preferencialmente grupal, reservando os espaços individuais para assuntos de crescimento pessoal. Durante o período de residência terapêutica, é construído o plano terapêutico que flexível, comporta os anseios individuais, sem interferência do profissional, por mais possibilidades além que este possa vislumbrar. Foi convencionado um período de vinte e seis dias para uma avaliação inicial, com retorno ao residente e familiar das observações. Com o passar do tempo vencidas as etapas proposto as devoluções ocorrem naturalmente, tanto individual como em grupo. Não existe a possibilidade de realizar psicoterapia dentro da instituição, pela mesma não suportar interferências de terceiros e melhor controle do setting terapêutico. É necessário um trabalho claro, honesto, com delimitação dos limites, possibilidades.               62         Durante o processo de convivência, existe a preocupação do acolhimento, do ser continente, de ser um investigador, facilitador, que irá acreditar na capacidade de reorganização interna, sendo cada uma há seu tempo.     3.1-Acompanhamento Médico/ Odontológico e outras questões de Saúde.     O maior desafio de uma comunidade terapêutica depois da normativa RDC/101 é trazer para dentro do sistema, a atenção à saúde em função do alto custo de adequação exigida bem como o investimento na contratação de recursos humanos, deixados ônus para a mesma. Os residentes que chegam viam SOS/drogas, por acordo das instituições da Rede Complementar de Suporte Social e Atenção ao Dependente Químico, os mesmos realizam exames convencionados, trazendo consigo além destes uma série de informações, exames de condição mental, laudo psiquiátrico, atestado de bons antecedentes, cartão do SUS, de vacina, etc.         63             As demandas espontâneas locais, os exames são realizados mediante solicitação do médico voluntário, nenhum processo excessivamente burocrático que impeça a entrada no setting terapêutico. Geralmente a necessidade de consultas, exames, orientação medica, tem sido feita em interface com o SUS, um sistema que em muitas vezes lento em face da urgência. Nos casos de atenção psiquiátrica, a saída tem sido o pagamento pela instituição, já que pelo SUS a demora compromete questões de segurança afetiva. Em relação aos atendimentos odontológicos, o custo tem sido através de parcerias com o estado, já que pelo SUS, é praticamente impossível em razão do excesso de espera. Aos imprevistos ligados a saúde é solicitada o envolvimento da família, para arcar com futuras decisões.                         64         3.2- Considerações Finais   No ano de 2008, a Casa Dia atendeu homens e mulheres em dificuldade com álcool e outras drogas, acima de 18 anos, do estado de Minas Gerais, sendo por encaminhamento SOS/drogas 46 pessoas, podemos considerar outros atendimentos espontâneos, mas para caracterizar uma amostragem foi aplicado um questionário de 58 perguntas já testado e fruto de pesquisa com orientação comitê de ética com humanos. Podemos elucidar pontos importantes como: A droga preferida foi o álcool, maconha e cocaína; coincidentemente as mais utilizadas. A maioria já furtou para usar, principalmente furtando objetos em casa e dinheiro dos pais, muitos buscam a religião durante a adicção e os fatos que incentivaram o início da adicção foram mau relacionamento familiar, necessidade de se destacar no meio, para rebelar-se por algo, curiosidade, pressão dos amigos, para fugir dos problemas. Grande parte possui parentes com problemas de álcool e outras drogas, como primos, tios, irmão, e na adolescência sua fase mais difícil e negativa que consolidaram em traumas emocionais.       65                 A Maioria é voluntária ao tratamento, com envolvimentos com a justiça e acreditam ser o recolhimento necessário para interromper o abuso de drogas. As condições gerais de saúde são consideradas regulares, sem necessidade de intervenção psiquiátrica, a maioria é amasiada, tem mais de 02 filhos, com dificuldades de relacionamento familiar, com o primeiro grau incompleto. Um levantamento estatístico foi feito pelo SOS/drogas, onde a instituição apresenta maiores resultados, frente a abordagem e manejo clínico e institucional, no princípio da gestão compartilhada, onde os residentes são chamados a assumir o processo de recuperação de forma atuante, onde as decisões são discutidas , refletidas, comprometidas com a mudança do estilo de vida e progresso sócio emocional.Acreditamos ser produtivo o elucidar de crises, problemas e dificuldades emocionais durante  processo de recolhimento, onde o apoio do grupo e psicológico são fundamentais para o estabelecimento de novos limites , frente ao desfio de conquistar diariamente a sobriedade.     66         Conceda-nos Senhor a serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos mudar coragem para mudar aquelas que eu posso e, sabedoria para distinguir uma das outras! Reinhold Niebuhr                 AO SENHOR NOSSO DEUS E NOSSO PAI! A QUEM PERTENCE VERDADEIRAMENTE ESTA A OBRA, O NOSSO MUITO OBRIGADO   , DAMOS GLÓRIA A TI, POR TUDO EM O NOME DO SENHOR JESUS! 

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